Represa em fazenda de Gusttavo Lima é esvaziada por risco de rompimento

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A barragem da fazenda do cantor Gusttavo Lima, localizada em Bela Vista de Goiás (GO), corre risco de rompimento e ameaça a rodovia GO-020 e regiões próximas. Representantes do Ministério Público, Bombeiros e da Polícia Civil vistoriaram ontem o local e determinaram que a represa fosse esvaziada em cerca de quatro metros até quinta-feira (23).

Procurada pela reportagem, a N&R Empreendimentos e Participações, empresa do cantor sertanejo, disse ter feito pedido de licença ambiental pela barragem em dezembro de 2017, mas ainda não teve a solicitação analisada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SECIMA). A empresa ainda explicou que Gusttavo Lima contratou estudos técnicos, entre abril e maio de 2019, que apontaram “risco iminente de rompimento” e o cantor procurou o Corpo de Bombeiros para buscar uma solução.

De acordo com o delegado Luziano Severino de Carvalho, da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), responsável pelo caso, a represa está sendo esvaziada desde o último sábado, por bombeamento, e não será preciso secar todo o espaço.

“Uma represa com um metro não vai causar danos se romper. Não teria prejuízo ambiental e risco de tirar vidas. A Polícia Civil de Goiás está acompanhando, estou em contato com os órgãos ambientais também”, afirmou o delegado.

Na sexta-feira, 17, as famílias receberam comunicados da empresa contratada pelo artista para o trabalho de esvaziamento. “Fomos avisados que, se algo acontecer, se a represa romper, seremos indenizados, haverá hotel reservado e alimentação”, disse o gerente farmacêutico Luizmar Cardoso, de 62 anos. Ele possui uma chácara com um criatório de peixes, a 1 5 quilômetro do reservatório da Vargem Grande, há dez anos.

De 2018 para cá, conta Cardoso, a represa foi esgotada uma vez, causando o assoreamento de uma área próxima. “A água entrou no sítio e até que passou e esgotou rápido, mas o meio ambiente sofreu”.

Adquirida em setembro de 2017 por Gusttavo Lima, a propriedade possui uma represa de cinco metros de profundidade construída sem nenhuma licença ambiental. Ela está situada entre os municípios de Caldazinha e Bela Vista de Goiás e é bem próxima à rodovia.

Gusttavo Lima foi autuado em 2018 pela falta do licenciamento da represa, após vistoria em outubro do ano anterior. A Dema identificou que mesmo tendo dado entrada no processo de licença após ser autuado, não havia medidas urgentes sendo cumpridas.

Ainda segundo o delegado, a vistoria realizada ontem no local constatou infiltrações e rachaduras. Há risco de rompimento, mas, à medida que a água vá sendo retirada, ele diminui.

“Estou muito tranquilo, mantendo contato com eles (proprietários). A cada minuto, cada hora que passa, diminui (o risco). E assim as pessoas diminuem a apreensão”, afirmou o delegado, que diz ser difícil prever o estrago caso a ruptura acontecesse.

A assessoria do cantor informou que foi enviado um comunicado para quatro famílias que moram abaixo da represa. Outras duas casas da vizinhança estavam vazias e, por isso, não foram informadas.

O cantor comprou o imóvel em setembro de 2017, já sabendo que a barragem do Córrego Olaria, construída havia mais de 25 anos, não foi licenciada pelos proprietários anteriores, informou a assessoria de Lima.

A represa da fazenda, ainda que construída por outra pessoa, está sob responsabilidade do cantor desde o ato da compra. De acordo com Carvalho, houve uma tentativa de ampliação no ano passado. “Indiciamos a empresa e quatro pessoas físicas, entre elas o Gusttavo Lima, por crime ambiental. Eles ampliaram a barragem e fizeram a reforma sem licença ambiental”, disse.

O oficial da polícia contou que a barragem nunca teve licença e não apresenta descarga de fundo, uma espécie de válvula que puxa e retira a água quando necessário. Esta é uma obra essencial para a regularização do local, segundo ele.

A ausência desta descarga fez com que o volume de água fosse retirado por bombeamento e transportado para o Córrego Olaria. “É preciso construir uma descarga de fundo no local. Só que para isso, tem que esvaziar. Não tem jeito”, afirmou. A empresa do cantor confirma que o local está sem licença ambiental desde dezembro de 2017, diz que o proprietário fez o pedido junto à SECIMA, mas que o órgão não respondeu a solicitação.

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